Ser autoral ou ser Cover

Quando menino entrei numa banda. Não era uma banda comum, era uma banda autoral. Eu, na altura dos meus ingênuos 15 anos tocava numa banda.

Tocar numa banda aos 15 tem sua genialidade. Nos faz ser mais queridos, mais cobiçados, mais corajosos e ao mesmo tempo, mais burros, pois tocamos para os outros meninos se darem bem com as meninas, com trilha sonora.

Não é sobre música que quero falar, é sobre marketing.

Aprendi muito com esse negócio de música autoral e cover nessa fase, e desde então, busco incansavelmente encontrar a mistura ideal entre as duas coisas.

Tocar música cover sempre é legal, voce imita seus ídolos e depois de um tempo tocando e curtindo, descobre que nada fez para voce. Tocar autoral tem a ver com a paciência. Voce toca suas músicas, as pessoas não as conhecem, algumas poucas pessoas gostam, a maioria odeia, pedem pra voce tocar cover e voce insiste nas suas até que um dia emplaca e todos agradecem por voce ser um músico autoral.

É assim na vida empresarial.

Voce pode trabalhar para os outros ou criar a sua empresa. A primeira tem salario, se der tudo certo ou errado lá está ele. Voce tem chefe que bate palmas ou te mata quando algo dá errado. Mas de verdade, está sempre todo mundo feliz com voce. Se voce vira diretor então, sua família parabeniza cada passo seu. Ser autoral, neste caso empreendedor, tem suas dores. Voce fica procurando as palmas, que dificilmente aparecem.

No início voce precisa de muita paciência. Muita. As suas músicas não atrairão de início. Mas lembre-se que precisa emplacar uma só. Uma música é suficiente para que todos digam que voce estava certo em permanecer ali, diante de suas próprias ideias.

Estou passando pela fase pós start up numa empresa de saúde: a Healthers. Quando chega o fim de ano, quem é empreendedor, não tem décimo terceiro salario, ele paga. Quando chega no final de ano ficamos mais emotivos. Damos muito de nós, nossa alma completa em cada música, cada acorde.

Muitos não os entendem, muitos vaiam, poucos aplaudem. Mas o verdadeiros fãs de um músico autoral não o abandonam, o perseguem até o dia em que ele tem seguidores cover, os chamados concorrentes.

A vida é assim, como numa banda.

Aos 15 anos quando decidi montar minha banda escolhi amigos. Era um tempo feliz mas quem errava demais estava fora da banda. Quem dormia no ensaio também. Quem torcia para fazer parte da banda um dia estava nela.

Aos 38 decidi abrir uma empresa. Escolhi amigos para o momento. Alguns dormiram em ensaios, outros torceram para entrar e hoje fazem parte de tudo. Não houve nada de diferente nesse tempo, a não ser que o instrumento mudou, os cabelos brancos começaram a surgir e a experiência e a sensibilidade para acertar o repertório parecem mais lúcidas agora.

Tenho muito a aprender sobre música. Tenho muito a aprender sobre empresa.

Mas sei que no fundo de tudo isso o que mais importa é a paixão.

A paixão que temos por cada nota, cada acorde, cada batida.

Essa é a mesma paixão que sinto quando vejo uma Healthers saindo da gráfica, quando entro num evento feito pela Healthers, quando vejo um hospital feliz com nossas pesquisas, nosso software. Fico ainda mais apaixonado quando alguém diz que um dia será um Healther.

É isso.

Alberto Leite

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