Previsão e Prevenção

Passamos os últimos anos baseando nossa saúde em duas palavras, que inclusive hoje ainda norteiam fortemente os investimentos de nossa indústria e dos prestadores de serviços.

A primeira delas é o Diagnóstico. Tido como o futuro do planeta a partir da década de 70, a palavra Diagnóstico norteou os investimentos de grandes empresas como GE, Philips e Siemens na corrida pela precisão ao Diagnosticar. Essa máquina de pesquisa e desenvolvimento, somada a um modelo de negócios lucrativo criou uma máquina envolta por empresas que pesquisam, desenvolvem, comercializam, prestam serviços, comercializam novamente e trazem respostas às perguntas dos médicos, que munidos dessa informação toda, tomam suas decisões quanto às mais diversas doenças.

Tudo isso incrivelmente fez com que o ser humano vivesse mais e que mais pessoas tivessem suas dores reduzidas.

Isso nos leva à segunda palavra do século: o Tratamento. É inegável que o tratamento evoluiu, assim como o Diagnóstico. O tratamento que outrora era baseado em tentativa e erro, evoluiunos últimos 30 anos para a precisão, levando inclusive a máquina da prestação de serviços a pensar em performance. Tudo isso ocorreu por conta da precisão. Nada aconteceria sem ela. É ela que permite pensarmos em valor por resultado.

Tudo isso ia bem até nascer uma nova geração, a Y. A geração Y tem suas características, entendamos ou não.

Perto de 30% do planeta hoje respira uma nova dinâmica, baseada em outros dois valores, como foi de forma inspirada dita pelo professor e arquiteto da saúde João Carlos Bross, em sua belíssima entrevista exclusiva à Healthers.

A palavra que iniciar o novo ciclo é  a Previsão.

Basearemos nossa antena aos acontecimentos de hoje: investimentos bilionários em células tronco, análise e manuseio do DNA, impressão de tecidos e órgãos, aumento desenfreado de esportistas amadores e profissionais, Wearable Technologies, enfim, tudo  que hoje tenta prever doenças de origem genética e/ou baseadas no perfil do ser humano e suas atividades diárias.

A previsão, cada vez mais precisa por conta da evolução das tecnologias nos leva a uma segunda palavra parecida: Prevenção.

Prevenir algo que já se sabe é muito mais fácil.

Podemos imaginar que cada um de nós, em um prazo rápido, teremos em mãos uma série de novos produtos que não tivemos até hoje: mapas genomicos baseados em uma gota de saliva, exames de DNA completos, indicadores diários sobre nossas vidas feitas a partir de pulseiras, colares, roupas e celulares. Todos esses dados, cruzados em sites com dicas de especialistas, médicos e enfermeiros, devem nos dar uma direção mais precisa e com menor custo sobre qual a melhor ação.

Esse conjunto de informações e dados devem mudar drasticamente a direção e o curso do dinheiro no futuro, que hoje está concentrado no lado da indústria farmacêutica, dos equipamentos médicos, da prestação do serviço de atendimento e tratamento de doenças, sema complexas ou não para um novo modelo onde empresas de software, biotecnologia e esportes tenham mais sucesso.

Nada mais sobre isso a não ser que há uma excitação global em tudo isso. E faço parte dela.

Alberto Leite é CEO do grupo Cboard e Professor de Inovação, Estratégia e Marketing da FIA USP.

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