O Futuro

Albert Arnold Al Gore Jr, mais conhecido como Al Gore, já errou em algumas previsões, como a catastrófica análise sobre o clima global, que analisada por outros cientistas, pareceu óbvia e não muito precisa. Porém, sua visão sobre o futuro, descrita no seu último livro intitulado ironicamente de “O Futuro” parece iluminar-se de uma visão absolutamente lúcida sobre os próximos acontecimentos, mesmo que esses não nos levem a nenhum futuro.

Melhor pensar assim do que ler Dan Brown, “Inferno”e socializar-se com Dante ou olhar o gráfico de crescimento populacional e imaginar que as duas soluções básicas seriam: uma guerra ou a morte por falta de recursos.

Al Gore traz a nós uma visão alarmante baseada em inúmeras variáveis e de forma corajosa propõe seis pautas para a agenda global:

 

  • Trabalho – a migração cada vez mais natural das forças de trabalho em sentido horário (ocidente-oriente) e/ou a terceirização para as máquinas. A China pode não ser o futuro da manufatura mas há mais de vinte países do oriente que, hoje em dia, colocam-se a disposição cultural e política para tal;

 

  • Comunicações: a ascensão da Internet que deu origem a uma proliferação “selvagem” da informação a par da capacidade que a população mundial tem para se conectar, de forma instantânea e de acordo com um conjunto de propósitos, sem esquecer o alcance crescente da Internet por parte dos países em desenvolvimento;

 

  • Poder: o ciclo do poder está a sofrer também uma mudança de direção, do ocidente para o oriente e, mais preocupante para Gore, dos governos nacionais para playersde menor dimensão, como empresas e corporações, mas também para players perigosos como grupos de terroristas e de guerrilha;
  • Demografia: o aumento, sem precedentes, da população mundial, em conjunto com os movimentos internos e externos;
  • Biotecnologia: a manipulação crescente do DNA não só para produzir novos organismos com características singulares, mas também novos materiais e combustíveis;
  • As alterações climáticas, com particular enfoque para o aumento das temperaturas em nível global decorrente das emissões em crescendo de CO2, bem como outros efeitos climáticos.

Embora tenha ficado um pouco frustrado, pois perto de 50% do livro trata de resumos bibliográficos e de uma lista infinita de textos e links, a agenda acima parece interessante para um mundo com tantos desafios.

É vital lembrar que as maiores empresas do mundo e que crescem apontam para os pontos destacados.

Lembremos os investimentos feitos pelo google em genética, de empresas como IBM, Siemens, Alston que dedicam-se a pensar nas cidades inteligentes, nas tendências sobre Internet das Coisas, Wearable Technologies, as fantásticas evoluções da educação o Coursera.org ou com a Khan Academy, investida por Bill Gates, enfim, as mudanças globais fazem nascer players novos, faz renascer antigos como a Ford e a Nissan, que dedicam-se hoje a pensar no automóvel do futuro, totalmente adaptado às restrições da natureza.

Não há como negar o brilhantismo da agenda, adaptada a qualquer setor e qualquer raciocínio dos próximos 50 anos.

E que eles nos tragam um belíssimo futuro. Se é que ele existirá.

Alberto Leite é CEO do grupo Cboard e Professor de Inovação, Estratégia e Marketing da FIA USP.

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